Prolapso de órgãos pélvicos? O que é, causas, sintomas e principais tratamentos.

Compreenda como o prolapso pode afetar mulheres em qualquer idade, mas de forma significativa, a partir dos 40 anos e descubra as opções de tratamento.

Os órgãos pélvicos são suportados por músculos e ligamentos que se inserem no osso da pelvis. Ocorre um prolapso dos órgãos pélvicos, quando uma ou mais estruturas pélvicas, como a vagina, útero, bexiga, uretra, intestino delgado e reto, enfraquecem e dá-se a queda da posição normal dos órgãos. Ou seja, este prolapso ocorre quando os músculos e tecidos não conseguem mais suportar os órgãos por estarem fracos ou danificados.

O POP e a sua incidência é ainda muito variável e discrepante na literatura devido às diferentes formas de diagnóstico: avaliação em consulta ginecológica ou sintomas auto referidos. Quando o POP é definido por sintomas autorreferidos, tem uma prevalência de 3-6%, entretanto chega a 50% quando baseado no exame vaginal em consulta ginecológica.

O prolapso de órgãos pélvicos afeta mulheres a partir dos 20 anos, mais precisamente as mulheres entre os 20 e os 29 anos de idade representam 6% das mulheres que sofrem de POP, já as mulheres de idade compreendida entre os 50 e os 59 anos apresentam uma percentagem de 31% para a prevalência de POP, podemos concluir que as pessoas que tem mais de 80 anos, apresentam uma taxa de 80%.

Dependendo do órgão pélvico afetado, existem diferentes tipos de prolapso de órgão pélvico, os mais comuns são: cistocelo (bexiga), histerocelo (útero), retocelo (reto) e prolapso da cúpula vaginal (“topo” da vagina).

Quais as principais causas e sintomas?

Uma das principais causas do enfraquecimento pélvico é a obesidade, onde podemos assim considerarmos a gravidez como um período da vida em que a condição pode se manifestar de forma significativa, devido às alterações sofridas pelo pavimento pélvico. Outras causas do enfraquecimento pélvico são a predisposição genética, multiparidade, parto traumático, menopausa, esforço evacuatório, tabagismo, tosse crónica, esforço físico exagerado e prolongado.

Existem mulheres que são assintomáticas, sendo o diagnóstico realizado durante a consulta de ginecologista. Para muitas mulheres, o prolapso de órgãos pélvicos pode trazer sintomas como ver ou sentir uma protuberância ou “algo saído” da vagina, uma sensação de pressão, desconforto, dor pélvica, que piora ao ficar em pé, com a tosse ou com o passar do dia, perda de urina ou incapacidade de esvaziar completamente a bexiga, e pode sentir também pressão ou dor nas costas. Estes sintomas podem afetar o desempenho sexual, pois pode causar o desconforto durante a penetração.

Qual o tratamento?

O prolapso de órgãos pélvicos tem tratamento, e a primeira coisa a fazer é mudar o estilo de vida, ou seja, adotar novos hábitos de vida que reduzem o risco de agravamento do prolapso ou até mesmo exercícios de fortalecimento e reabilitação do pavimento pélvico. 

Após consultar um especialista, percebe-se melhor a gravidade do prolapso, os sintomas e as interferências na qualidade de vida, tendo em conta a idade, o estado geral da saúde assim como a preferência pessoal de cada pessoa. Caso o prolapso esteja muito avançado, pode-se recorrer à cirurgia.

Na idade reprodutiva da mulher, não é aconselhado o tratamento cirúrgico, devido ao facto de a mulher poder ter nova gravidez, ter um novo aumento do IMC e novamente ter um prolapso. Desta maneira são adotados novos hábitos para diminuírem o risco de agravamento do prolapso, como evitar a obstipação, adotando uma melhor alimentação e beber água em quantidade adequada, controlar problemas de tosse crónica, manter o peso corporal dentro dos limites saudáveis e evitar cargas de peso ou outras atividades que trabalhem o esforço abdominal.

Existe também exercícios de fortalecimento e reabilitação do pavimento pélvico, estes ajudam a prevenir que se agrave o prolapso assim como a diminuição da frequência dos sintomas presentes. Estes exercícios devem ser recomendados por um fisioterapeuta, pois executados de maneira incorreta pode agravar o problema. Outra maneira de tratamento é o pressário vaginal, que é um dispositivo de silicone que é colocado na vagina para apoiar os órgãos pélvicos, no entanto este método não trata o prolapso, pois os órgãos continuam descaídos e na maior parte das vezes os sintomas permanecem. 

Ficamos num caso em que se pensa num tratamento por cirurgia, quando existe o fator idade, estado geral da saúde da pessoa, histórico de cirurgias abdominais ou da localização e grau do prolapso. Este tratamento cirúrgico pretende reposicionar os órgãos, em certos casos existem sintomas que prevalecem, como a incontinência urinária. O prolapso é resolvido a longo prazo com a cirurgia em cerca de 70% a 80% das mulheres que são submetidas a cirurgia por via vaginal e em 90% das mulheres que são submetidas a cirurgia via abdominal.

Como prevenir?

Existem maneiras de prevenir o prolapso dos órgãos pélvicos, sendo o mais importante, manter um peso ideal, pois o IMC alto é um dos consequente mais grave para o prolapso. Escolher alimentos com fibras, pois estes ajudam a prevenir a constipação e o esforço durante as evacuações também é uma forma de prevenção. O tabagismo pode causar tosse crónica, o que sobrecarrega os músculos do pavimento pélvico. Priorize a sua saúde e bem-estar, entre em contacto para obter uma orientação adequada e personalizada para as suas necessidades.


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