
A gravidez traz muitas mudanças no teu corpo, e uma das que pode surpreender-te é a incontinência urinária. Sabias que até 50% das mulheres grávidas experienciam algum grau de perda involuntária de urina? (Mørkved & Bø, 2014).
Embora seja comum, a incontinência urinária não é normal nem inevitável. Pode afetar o teu bem-estar físico e emocional, mas a boa notícia é que a fisioterapia pélvica pode ajudar-te a prevenir e tratar este problema, garantindo mais conforto durante a gravidez e no pós-parto.
Porque é que a gravidez favorece a incontinência urinária?
A incontinência urinária na gravidez acontece por vários motivos:
✅ Alterações hormonais – A progesterona e a relaxina fazem com que os tecidos fiquem mais relaxados, incluindo os músculos do pavimento pélvico, reduzindo a sua capacidade de suporte (Mørkved et al., 2003).
✅ Aumento do peso do útero – À medida que o bebé cresce, a pressão sobre a bexiga e os músculos que controlam a urina aumenta, dificultando a continência (Sangsawang & Sangsawang, 2013).
✅ Mudanças na postura – O aumento da curvatura lombar e o deslocamento do centro de gravidade podem afetar a forma como os músculos do pavimento pélvico funcionam (Bø & Sherburn, 2005).
Tipos de Incontinência Urinária na Gravidez
Durante a gravidez, os dois tipos mais comuns de incontinência são:
🔹 Incontinência urinária de esforço (IUE): Se perdes urina ao rir, tossir, espirrar ou levantar pesos, este pode ser o teu caso. Ocorre devido ao enfraquecimento muscular e ao aumento da pressão intra-abdominal (Bø, 2004).
🔹 Incontinência urinária de urgência (IUU): Sentes uma vontade súbita e intensa de urinar e, por vezes, não consegues chegar à casa de banho a tempo? Isso pode dever-se a alterações hormonais ou à irritabilidade da bexiga.
Como a Fisioterapia Pélvica pode ajudar-te?
A fisioterapia pélvica é a melhor abordagem não invasiva e baseada em evidências para prevenir e tratar a incontinência urinária durante a gravidez e no pós-parto. Estudos mostram que um programa de fortalecimento do pavimento pélvico pode reduzir o risco de incontinência urinária em até 60% (Woodley et al., 2020).
O que a fisioterapia pode fazer por ti?
✅ Avaliação personalizada – Um fisioterapeuta especializado irá avaliar a força, resistência e coordenação dos teus músculos pélvicos.
✅ Exercícios de fortalecimento – Estes exercícios ensinam-te a contrair e relaxar os músculos pélvicos corretamente, melhorando a tua capacidade de controlar a urina (Dumoulin et al., 2018). Com a orientação de um fisioterapeuta terás estes exercícios recomendados de forma personalizada a tua condição clínica.
✅ Treino respiratório e postural – Melhora o alinhamento do teu corpo, inclusivamente da tua pelve e reduz a pressão sobre a bexiga.
✅ Educação e estratégias do dia a dia – Pequenas mudanças nos teus hábitos podem fazer toda a diferença, como a forma como te sentas para urinar e como levantas objetos pesados.
Quando deves procurar ajuda?
🔹 Se perdes urina ao tossir, rir, espirrar ou levantar pesos.
🔹 Se tens vontade urgente e frequente de urinar e tens dificuldade em chegar à casa de banho a tempo.
🔹 Se sentes peso ou pressão na zona pélvica, especialmente no final do dia.
🔹 Se já tiveste partos anteriores, mesmo que não tenha perdas.
Lembra-te: perder urina pode ser comum, mas não é normal! Isso afeta a tua qualidade de vida, não vivas assim, procure um fisioterapeuta especializado pois fará toda a diferença em tua vida.
Conclusão
A incontinência urinária na gravidez não é algo com que devas simplesmente conviver. Com a ajuda da fisioterapia pélvica, podes fortalecer o pavimento pélvico, reduzir ou eliminar as perdas de urina e preparar-te para um pós-parto mais tranquilo.
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Referências
- Bø, K. (2004). Pelvic floor muscle training is effective in treatment of female stress urinary incontinence, but how does it work?. International Urogynecology Journal, 15(2), 76-84.
- Bø, K., & Sherburn, M. (2005). Evaluation of female pelvic-floor muscle function and strength. Physical Therapy, 85(3), 269-282.
- Dumoulin, C., Hay-Smith, E. J., Mac Habée-Séguin, G. (2018). Pelvic floor muscle training versus no treatment, or inactive control treatments, for urinary incontinence in women. Cochrane Database of Systematic Reviews, 10.
- Hay-Smith, E. J., Herderschee, R., Dumoulin, C., Herbison, G. P. (2011). Comparisons of approaches to pelvic floor muscle training for urinary incontinence in women. Cochrane Database of Systematic Reviews, 12.
- Mørkved, S., & Bø, K. (2014). Prevalence of urinary incontinence during pregnancy and postpartum: A systematic review. Acta Obstetricia et Gynecologica Scandinavica, 93(10), 1039-1048.
- Sangsawang, B., & Sangsawang, N. (2013). Stress urinary incontinence in pregnant women: A review of prevalence, pathophysiology, and treatment. International Urogynecology Journal, 24(6), 901-912.
- Wilson, P. D., Herbison, G. P., Glazener, C. M. (2016). Obstetric risk factors for stress urinary incontinence in women. The Lancet, 368(9542), 982-990.
- Woodley, S. J., Boyle, R., Cody, J. D., Mørkved, S., Hay-Smith, E. J. (2020). Pelvic floor muscle training for preventing and treating urinary and fecal incontinence in antenatal and postnatal women. Cochrane Database of Systematic Reviews, 11.
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