Maio é um mês emblemático para a saúde feminina. Além do dia da mãe comemora-se o Dia Mundial do Cancro de Ovário (8 de maio), o Dia Internacional da Saúde da Mulher e o Dia Mundial da Dignidade Menstrual (28 de maio). Estas datas convergem para um objetivo comum: promover a saúde pélvica da mulher. Neste artigo, exploraremos como a consciência sobre a saúde pélvica da mulher é essencial para o bem-estar e a dignidade feminina.
Cancro de Ovário: a fisioterapia pélvica pode ajudar
O cancro de ovário é uma das neoplasias ginecológicas mais letais, muitas vezes diagnosticado em estágios avançados devido à ausência de sintomas específicos. Estudos indicam que a conscientização sobre os sinais precoces e a realização de exames regulares são cruciais para o diagnóstico precoce e o aumento das taxas de sobrevivência.
A fisioterapia pélvica desempenha um papel fundamental na reabilitação e qualidade de vida de uma mulher que teve cancro de ovário, ajudando em diferentes fases do tratamento e recuperação.
Infelizmente, os tratamentos cirurgicos e a radioterapia podem enfraquecer ou lesar os músculos e nervos da região pélvica. A fisioterapia pélvica atua na reeducação dos músculos do pavimento pélvico, melhorando a força, resistência e controlo muscular. Após o tratamento do cancro ginecológico muitas mulheres desenvolvem dor pélvica persistente devido a aderências, tensão muscular ou neuropatia. Técnicas como terapia manual e liberação miofascial ajudam a aliviar a dor e restaurar a mobilidade.
Além disso, a fisioterapia pélvica pode incluir estratégias para relaxamento, gestão de stress, respiração diafragmática e alongamentos, essenciais para ajudar-te a reconectar com o teu corpo após um período desafiante. Isso melhora também a tua autoestima e qualidade de vida. Não menos importante, podem também surgir dor durante a relação sexual (dispareunia), perda de lubrificação vaginal e alterações na sensibilidade local como consequência ao tratamentos. A fisioterapia ajuda-te a recuperar a função e o conforto na intimidade, com técnicas específicas e abordagem respeitosa.
Saúde pélvica da mulher: um pilar do bem-estar
A saúde pélvica da mulher abrange o funcionamento adequado dos músculos, órgãos e estruturas da região pélvica. Disfunções como incontinência urinária, dor pélvica crónica e disfunções sexuais são comuns, mas muitas vezes subdiagnosticadas. A fisioterapia pélvica é uma abordagem eficaz para o tratamento dessas condições, promovendo o fortalecimento muscular, o alívio da dor e a melhoria da função sexual. Estudos demonstram que programas de reabilitação pélvica, inclusive por meio de telereabilitação, são eficazes na melhoria dos sintomas e da qualidade de vida das mulheres.
Dignidade menstrual: quebrando tabus
O período ainda é cercado por estigmas e tabus em muitas culturas, afetando negativamente a autoestima e a participação social das mulheres. A dignidade menstrual envolve o acesso a produtos menstruais, educação adequada e ambientes seguros para a gestão da menstruação. A falta de recursos e informações pode levar a complicações de saúde e à exclusão social. Por isso, promover a dignidade menstrual é essencial para garantir a saúde pélvica da mulher e a igualdade de género.
Essa é uma realidade que também afeta Portugal: Muitas mulheres ainda enfrentam dificuldades para ter acesso a produtos básicos de higiene menstrual. Sabias que a pobreza menstrual é uma realidade que afeta a dignidade e a saúde de muitas mulheres inclusivamente em Portugal:
- 12% das raparigas já faltaram às aulas por não conseguirem adquirir produtos menstruais;
- Mais de 23% das raparigas trataram do período com produtos considerados inadequados para tal.
Dia Internacional da Saúde da Mulher: um chamado à ação
A criação desta data, em 1987, nasceu da necessidade de dar visibilidade às questões específicas da saúde feminina, muitas vezes silenciadas ou negligenciadas. Estamos a falar de muito mais do que ginecologia: falamos de saúde pélvica, sexual, emocional, materna, uroginecológica, entre tantas outras.
Ainda hoje, muitas mulheres vivem com dores, desconfortos, perdas de urina ou disfunções sexuais sem saberem que há solução — e que não têm de sofrer caladas.
O Dia Internacional da Saúde da Mulher é uma oportunidade para refletir sobre os desafios enfrentados pelas mulheres em relação à sua saúde e bem-estar. É um momento para reforçar a importância de políticas públicas que garantam o acesso a serviços de saúde de qualidade, incluindo a fisioterapia pélvica, e para promover a educação sobre a saúde pélvica da mulher desde a adolescência.
A fisioterapia pélvica atua diretamente sobre o teu pavimento pélvico, músculos essenciais que sustentam órgãos como a bexiga, o útero e o reto. Estes músculos também estão ligados à tua postura, sexualidade e até à tua respiração.
Segundo estudos científicos, cerca de 30% a 50% das mulheres em algum momento da vida terão disfunções do pavimento pélvico (Dumoulin et al., 2018 – PubMed).
Problemas comuns que a fisioterapia pélvica pode ajudar a prevenir ou tratar:
- Incontinência urinária
- Prolapso de órgãos pélvicos
- Dor na relação sexual
- Dificuldades no pós-parto
- Dores lombares e pélvicas crónicas
A melhor parte? Com avaliação adequada, plano individualizado e acompanhamento, é possível recuperar a força, controlo e qualidade de vida.
Conclusão
A saúde pélvica da mulher é um aspecto fundamental do bem-estar feminino, impactando diretamente a qualidade de vida, a autoestima e a participação social. Neste mês de maio, ao celebrarmos datas significativas como o Dia Mundial do Cancro de Ovário, o Dia Internacional da Saúde da Mulher e o Dia Mundial da Dignidade Menstrual, é essencial promover a consciência sobre a saúde pélvica da mulher. Através da educação, do acesso a serviços de saúde e da quebra de tabus, podemos avançar rumo a uma sociedade mais justa e saudável para todas as mulheres.









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